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Wallon

     


     Henri Paul Hyacinthe Wallon nasceu em Paris, França, em 1879. Em 1902 Wallon se formou em filosofia, se formou também em medicina e psicologia. Henri presenciou as duas Grandes Guerras e, inclusive, atuou como médico na Primeira Guerra Mundial cuidando de pessoas com distúrbios psiquiátricos.
     Em 1920 Henri se tornou professor na lendária universidade de Sobornne, na França. Lá ele foi encarregado de ministrar conferencias sobre psicologia da criança. Henri Wallon também lecionou em outras instituições e foi o primeiro teórico reconhecer a importância da afetividade no ensino infantil.
     Seu primeiro trabalho foi intitulado “Delírio da Perseguição. O delírio Crônico na base da interpretação” que foi publicado em 1909. A maioria de suas obras não foi traduzida para o português, apenas algumas, são elas: Evolução psicológica da criança, Andes, Rio de Janeiro, s.d.; Psicologia e educação da infância, Estampa, Lisboa, 1975; Objetivos e métodos da psicologia, Estampa, Lisboa, 1975; Origens do pensamento na criança, Manole, São Paulo, 1989.
     Hanri Wallon também teve uma vida política muito agitada, era marxista convicto e criticava a forma agressiva de ensino aplicada em sua época. Filiou-se ao partido socialista SFIO que em português é a sigla para Sessão Francesa da Internacional dos Trabalhadores. Durante a Segunda Guerra Mundial foi perseguido pela Gestapo, polícia repressora alemã.
     Wallon morreu aos 83, em Paris. Ele chegou a visitar o Brasil em 1935.
    
     Wallon via a criança como tendo emoções não só como um corpo. Os elementos básicos de suas ideias eram:
A afetividade;
O movimento;
A inteligência;
A formação do eu.
     Os estágios do desenvolvimento segundo Henri Wallon são:
     Estágio impulsivo-emocional de 0 a 1 ano: estagio afetivo onde a criança desenvolve intraceptivos e afetivos
     Estágio sensório-motor e projetivo de 1 a 3 anos: investigação e exploração da realidade exterior;
     Personalismo de 3 a 6 anos: enriquecimento do eu e a construção da personalidade;
    Pensamento categorial de 6 a 11 anos: marca a diferenciação entre o eu e o mundo exterior, em que a criança aprende a perceber o que é de si e o que é do outro;
     Puberdade e adolescência: oposição sistemática ao adulto, busca diferenciar-se do adulto;

Maria Montessori

     

     Maria Montessori nasceu em 1870 em Chiaravalle, no norte da Itália, filha única de um casal de classe média. Desde pequena se interessou pelas ciências e decidiu enfrentar a resistência do pai e de todos à sua volta para estudar medicina na Universidade de Roma. Direcionou a carreira para a psiquiatria e logo se interessou por crianças com retardo mental, o que mudaria sua vida e a história da Educação. Ela percebeu que aqueles meninos e meninas proscritos da sociedade por serem considerados ineducáveis respondiam com rapidez e entusiasmo aos estímulos para realizar trabalhos domésticos, exercitando as habilidades motoras e experimentando autonomia. Em pouco tempo, a atividade combinada de observação prática e pesquisa acadêmica levou a médica a experiências com as crianças ditas normais. Montessori graduou-se em pedagogia, antropologia e psicologia e pôs suas idéias em prática na primeira Casa dei Bambini (Casa das crianças), aberta numa região pobre no centro de Roma. A esta se seguiram outras em diversos lugares da Itália. O sucesso das "casas" tornou Montessori uma celebridade nacional. Em 1922 o governo a nomeou inspetora-geral das escolas da Itália. Com a ascensão do regime fascista, porém, ela decidiu deixar o país em 1934. Continuou trabalhando na Espanha, no Ceilão (hoje Sri Lanka), na Índia e na Holanda, onde morreu aos 81 anos, em 1952.


Maria Montessori, a médica que valorizou o aluno
     Segundo a visão pedagógica da pesquisadora italiana, o potencial de aprender está em cada um de nós.
     Poucos nomes da história da educação são tão difundidos fora dos círculos de especialistas como Montessori. Ele é associado, com razão, à Educação Infantil, ainda que não sejam muitos os que conhecem profundamente esse método ou sua fundadora, a italiana Maria Montessori (1870-1952). Primeira mulher a se formar em medicina em seu país, foi também pioneira no campo pedagógico ao dar mais ênfase à auto-educação do aluno do que ao papel do professor como fonte de conhecimento. "Ela acreditava que a educação é uma conquista da criança, pois percebeu que já nascemos com a capacidade de ensinar a nós mesmos, se nos forem dadas as condições", diz Talita de Oliveira Almeida, presidente da Associação Brasileira de Educação Montessoriana.
     Individualidade, atividade e liberdade do aluno são as bases da teoria, com ênfase para o conceito de indivíduo como, simultaneamente, sujeito e objeto do ensino. Montessori defendia uma concepção de educação que se estende além dos limites do acúmulo de informações. O objetivo da escola é a formação integral do jovem, uma "educação para a vida". A filosofia e os métodos elaborados pela médica italiana procuram desenvolver o potencial criativo desde a primeira infância, associando-o à vontade de aprender - conceito que ela considerava inerente a todos os seres humanos.
     O método Montessori é fundamentalmente biológico. Sua prática se inspira na natureza e seus fundamentos teóricos são um corpo de informações científicas sobre o desenvolvimento infantil. Segundo seus seguidores, a evolução mental da criança acompanha o crescimento biológico e pode ser identificada em fases definidas, cada uma mais adequada a determinados tipos de conteúdo e aprendizado.
     Maria Montessori acreditava que nem a educação nem a vida deveriam se limitar às conquistas materiais. Os objetivos individuais mais importantes seriam: encontrar um lugar no mundo, desenvolver um trabalho gratificante e nutrir paz e densidade interiores para ter capacidade de amar.
A educadora acreditava que esses seriam os fundamentos de quaisquer comunidades pacíficas, constituídas de indivíduos independentes e responsáveis. A meta coletiva é vista até hoje por seus adeptos como a finalidade maior da educação montessoriana.

Ambientes de liberdade     
     Ao defender o respeito às necessidades e aos interesses de cada estudante, de acordo com os estágios de desenvolvimento correspondentes às faixas etárias, Montessori argumentava que seu método não contrariava a natureza humana e, por isso, era mais eficiente do que os tradicionais. Os pequenos conduziriam o próprio aprendizado e ao professor caberia acompanhar o processo e detectar o modo particular de cada um manifestar seu potencial.
     Por causa dessa perspectiva desenvolvimentista, Montessori elegeu como prioridade os anos iniciais da vida. Para ela, a criança não é um pretendente a adulto e, como tal, um ser incompleto. Desde seu nascimento, já é um ser humano integral, o que inverte o foco da sala de aula tradicional, centrada no professor. Não foi por acaso que as escolas que fundou se chamavam Casa dei Bambini (Casa das crianças), evidenciando a prevalência do aluno. Foi nessas "casas" que ela explorou duas de suas ideias principais: a educação pelos sentidos e a educação pelo movimento.

Descobrir o mundo
     Nas escolas montessorianas, o espaço interno era (e é) cuidadosamente preparado para permitir aos alunos movimentos livres, facilitando o desenvolvimento da independência e da iniciativa pessoal. Assim como o ambiente, a atividade sensorial e motora desempenha função essencial - ou seja, dar vazão à tendência natural que a garotada tem de tocar e manipular tudo o que está ao seu alcance.
     Maria Montessori defendia que o caminho do intelecto passa pelas mãos, porque é por meio do movimento e do toque que as crianças exploram e decodificam o mundo ao seu redor. "A criança ama tocar os objetos para depois poder reconhecê-los", disse certa vez. Muitos dos exercícios desenvolvidos pela educadora - hoje utilizados largamente na Educação Infantil - objetivam chamar a atenção dos alunos para as propriedades dos objetos (tamanho, forma, cor, textura, peso, cheiro, barulho).
     O método Montessori parte do concreto rumo ao abstrato. Baseia-se na observação de que meninos e meninas aprendem melhor pela experiência direta de procura e descoberta. Para tornar esse processo o mais rico possível, a educadora italiana desenvolveu os materiais didáticos que constituem um dos aspectos mais conhecidos de seu trabalho. São objetos simples, mas muito atraentes, e projetados para provocar o raciocínio. Há materiais pensados para auxiliar todo tipo de aprendizado, do sistema decimal à estrutura da linguagem.

Escola sem lugar marcado
        Método montessoriano na sala de aula: material específico
     As salas de aula tradicionais eram vistas com desprezo por Maria Montessori. Ela dizia que pareciam coleções de borboletas, com cada aluno preso no seu lugar. Quem entra numa sala de aula de uma escola montessoriana encontra crianças espalhadas, sozinhas ou em pequenos grupos, concentradas nos exercícios. Os professores estão misturados a elas, observando ou ajudando. Não existe hora do recreio, porque não se faz a diferença entre o lazer e a atividade didática. Nessas escolas as aulas não se sustentam num único livro de texto. Os estudantes aprendem a pesquisar em bibliotecas (e, hoje, na internet) para preparar apresentações aos colegas. Atualmente existem escolas montessorianas nos cinco continentes, em geral agrupadas em associações que trocam informações entre si. Calcula-se em torno de 100 o número dessas instituições no Brasil.


Efervescência intelectual     
     As ideias de educação de Maria Montessori refletem a concepção positiva do conhecimento que caracterizou a época em que viveu - sobretudo a virada do século 19 para o 20, marcada por efervescência intelectual e fascínio pela mente humana. Na primeira metade da vida dela, o mundo conheceu a luz elétrica, o rádio, o telefone, o cinema. As descobertas da ciência criavam expectativas ilimitadas para o futuro. A psiquiatria, que fascinou a jovem médica em Roma, se encontrava num ponto de inflexão. Pesquisas tornavam mais eficaz e mais humano o tratamento dos doentes mentais e lançavam luz sobre o funcionamento do cérebro de "loucos" e "sãos". Montessori se interessou em particular pelos estudos de um dos desbravadores dos mecanismos do aprendizado infantil, o médico francês Édouard Séguin. Do ponto de vista dos costumes, ela também esteve na vanguarda. Escolheu uma profissão "de homens" e mais tarde teve um filho sem se casar - o que a obrigou a afastar-se dele nos primeiros anos de vida, para não causar escândalo. No auge de sua carreira, a educadora viu, na ascensão do regime fascista de Benito Mussolini, o triunfo momentâneo dos valores opostos aos que defendeu. Abandonou seu país, mas não a batalha por uma educação melhor.

Algumas das principais obras de Maria são:
• A Descoberta da Criança (1909)
• O Método Montessori (1912)
• Desenvolvimento do Método Montessori (1917).



Uncisal regulamenta uso de nome social de alunos nos registros acadêmicos

Informação foi divulgada nesta quarta-feira (31), no Diário Oficial do Estado (DOE). Nome social será exibido em todos os documentos internos da universidade.

     A reitora da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (Uncisal), Rozangela Wyszomirska, regulamentou a política de utilização do nome social dos alunos que se autodenominam travestis, transexuais, transgêneros e intergêneros nos registros acadêmicos. A informação foi divulgada nesta quarta-feira (31), no Diário Oficial do Estado (DOE).

     A publicação informa que o nome social será exibido em todos os documentos internos da Uncisal e em todos documentos emitidos pelo sistema oficial de registro e controle acadêmico, com exceção dos documentos, que seja imprescindível o uso exclusivo do nome civil, sendo respeitada a privacidade e a autodenominação das pessoas.

    Os documentos oficiais relativos à conclusão do curso e colação de grau, histórico escolar, certificados, certidões e diploma de conclusão serão emitidos com o nome de registro civil e o nome social, em destaque, caso seja pedido pelo aluno.

     O campo “nome social” será inserido nos formulários e sistemas de informação utilizados nos procedimentos de seleção, inscrição, matrícula, registro de frequência e avaliação.

     Ainda segundo a portaria, o estudante poderá incluir, alterar ou retirar o nome social a qualquer momento. Os documentos de identificação, tais como crachás e carteira de estudante deverão conter nele somente o nome social.

     Os procedimentos administrativos para a adoção do nome social deverão ser realizados no prazo de até 30 dias, contando da data da solicitação. A Controladoria de Registro Acadêmico e à Supervisão de Tecnologia e Inovação, (Sutin/Uncisal), providenciará e coordenará nos demais setores para a inclusão do nome social nos documentos da universidade.

     Caso ocorra a mudança do nome de registro civil, o nome social será retirado dos registros da universidade e serão emitidos novos históricos escolares, declarações, certificados, atestados e diplomas com o nome de registro civil atualizado.


Texto retirado do site: http://g1.globo.com/al/alagoas/noticia/uncisal-regulamenta-uso-de-nome-social-de-alunos-nos-registros-academicos.ghtml

Secretaria de Educação planeja discutir mudanças na última fase da educação básica

Órgão já prevê dificuldades, especialmente com o aumento da carga horária



     Diante de indefinições que ainda pairam sobre a reforma do ensino médio no país, Minas Gerais começa a projetar os impactos das mudanças. Por enquanto, quase nada está definido. Sabe-se apenas que este ano tudo permanecerá como está na rede estadual e que qualquer alteração no currículo, a ser feita progressivamente, será discutida com a comunidade escolar. As novas diretrizes serão debatidas em seminário, dando vez e voz a professores, alunos e à família para que opinem sobre temas que vão mudar a cara da última etapa da educação básica, como a segmentação das disciplinas de acordo com as áreas do conhecimento, a flexibilidade para o aluno escolher os caminhos de seu currículo, a oferta de formação técnica e profissional e o aumento da carga horária. A expectativa da Secretaria de Estado de Educação (SEE) é tratar essas questões nas 47 regionais de ensino, a partir do segundo semestre.
     A palavra de ordem é “escutar para aprender”, segundo a superintendente de Juventude, Ensino Médio e Educação Profissional da SEE, Cecília Resende Alves. Ela afirma que um amplo debate será aberto, depois da apresentação da Base Nacional Curricular Comum (BNCC). A Medida Provisória (MP) 746, de 22 de setembro de 2016, que institui o novo ensino médio, foi aprovada quarta-feira à noite no Senado. Para se tornar lei depende agora apenas da sanção do presidente Michel Temer. A BNCC, em discussão desde 2015, é um suporte em nível nacional pensado para deixar claro os conhecimentos essenciais aos quais todos os estudantes brasileiros têm o direito de ter acesso e se apropriar durante sua trajetória ano a ano, desde o ensino infantil até o médio.
     A ideia da Secretaria de Educação de Minas é abrir o diálogo com a comunidade a partir da conclusão da base nacional que, na prática, vai delinear os caminhos do currículo do novo ensino médio. Na semana que vem, está marcada uma videoconferência entre os gestores, sendo a BNCC e a escola em tempo integral parte da pauta. Cecília acredita que nessa sessão será apresentada a versão final. A informação dada pelo Ministério da Educação (MEC) à SEE é que a divulgação ocorrerá em junho. Assim, os debates da rede poderiam ser iniciados logo depois. Mas o próprio MEC prometeu, no fim do mês passado, conclusão da base para março do ano que vem. Se o prazo for mantido, o novo ensino médio só vai começar a ser implementado em 2020.
     MAIS HORAS Pela reforma, a carga horária do nível médio subirá de 800 para 1.400 horas, sendo que as escolas farão a ampliação de forma gradual. Mas, nos primeiros cinco anos, já devem oferecer 1.000 horas de aula anuais. Para esse primeiro momento, Cecília Resende imagina os colégios com sete horários e, futuramente, com nove horários para atender a proposta de tempo integral. “É um impacto gigante não só no estado, mas no setor privado também. Se tivéssemos que executar tudo a partir do mês que vem seria inacessível”, afirma. “Será que obrigar o jovem a ficar sete horários é a melhor solução? Ou ele poderia voltar para fazer as disciplinas eletivas e escolher quantos horários quer fazer? A obrigatoriedade é uma questão complicada. Nas conversas com os jovens da rede, o que eles pedem é uma escola mais participativa. E, aí, chego com uma medida que não teve a participação da juventude”, pondera.
     PERCURSO A forma como o aluno vai traçar seu percurso escolar, cursando as disciplinas obrigatórias e se dedicando às optativas, também fará parte das discussões. O MEC definiu e enviou às secretarias de educação dos estados três possibilidades. Uma delas é oferecer as disciplinas comuns e obrigatórias do 1º até a metade do 2º ano e, só depois, disponibilizar a ênfase por área do conhecimento. Outra é disponibilizar as disciplinas que serão focadas pelos estudantes ao longo dos três anos. E a última é a oferta concomitante só a partir do 3º ano. Em Minas, as três propostas foram rechaçadas. “Essa discussão não pode ser enlatada. Não posso enxergar as juventudes e os territórios do estado do mesmo jeito. O que vale na Região Metropolitana de Belo Horizonte pode ser extremamente danoso para o Norte de Minas, por exemplo. Para uma flexibilidade do currículo tem que haver flexibilidade de discussões e um grande debate social”, ressalta Cecília.
     A escolha das áreas afins também pode ser um problema dentro da realidade de muitos municípios, que contam com uma única escola para os ensinos fundamental e médio. “Como pôr cinco ênfases numa única escola?”, questiona Cecília. “Não podemos esquecer que temos 1,1 milhão de jovens matriculados. Vamos adotar a reforma à medida que fecharmos com a comunidade o currículo que será ofertado. E não será possível implementar sem o caráter progressivo. Teremos que usar o máximo possível dos cinco anos para ter as 1.000 horas de aulas e depois, esperamos para ver como ficarão as 1.400.”
     PROFESSORES Outro ponto a ser tratado e que a medida provisória não contemplou é a carreira do professor que, na visão da superintendente, certamente deverá ser alterada. Hoje, ele é designado para trabalhar 16 horas semanais. Com a reformulação, terá dedicação praticamente exclusiva. O custo com infraestrutura, material e pessoal é mais uma preocupação e deverá envolver outras secretarias, como Gestão de Recursos Humanos e Planejamento, para implantar as mudanças nas 2.999 escolas da rede.


Falta de estrutura preocupa     Diretora da Escola Estadual Pedro II, Cristiane Justi acredita que o fato de os alunos poderem escolher seu percurso educacional é ponto central e positivo, desde que não sejam retirados conteúdos essenciais. Mas, segundo ela, é fundamental atrelar o currículo básico com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC). “Preocupa-me muito o custo disso, pois é um projeto caro. A diversidade de currículo gera custo maior de infraestrutura e pessoal. Talvez nem tenhamos profissionais para todas as escolas”, afirma. No colégio, a adaptação será pequena em vista do que outras escolas terão de fazer, pois, atualmente, a carga horária anual é de 1.333,22 horas. Isso por causa do sexto horário e de oficinas pedagógicas oferecidas no período da tarde, uma vez por semana, como a conversação em inglês.
     O trabalho rendeu a Cristiane e a oito estudantes, ano passado, uma viagem para um programa de intercâmbio entre gestores e alunos na Flórida (EUA), iniciado pelo antigo diretor da escola em 2014. “Lá é assim: os alunos têm um currículo básico e vão escolhendo o que querem estudar. Mas há uma espécie de conselheira, uma supervisora que auxilia na escolha do percurso dele, para evitar ir e voltar de uma área. É importante termos essa pessoa também. Mas não está contemplado na proposta”, diz. “O ideal seria pensar em escolas com perfis. Se humanas, por exemplo, atender todos os alunos dessa área, pois, se formos contemplar tudo será inviável”, propõe.
     Luísa é a favor de estímulo dentro da escola. “O ensino no Brasil é muito conteudista. No Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), temos que saber as matérias que estudamos nossa vida inteira. E isso atrapalha o ensino na escola, porque é muita matéria num ano, e uma carga muito grande para entrar na faculdade”, relata. Por isso, a adolescente espera também mudanças no Enem, dando peso para as áreas do percurso escolhido no ensino médio. Outra preocupação da garota é como vai funcionar o tempo integral para quem trabalha. “A maioria dos alunos da escola pública trabalha. Como essa pessoa vai largar tudo pela escola? Infelizmente, a realidade aqui é outra.”
     O Ministério da Educação foi questionado sobre como fica a situação dos estudantes que trabalham, no caso de escola em tempo integral, mas não respondeu até o fechamento desta reportagem.


Noturno em foco     O ensino noturno não é contemplado na medida provisória que altera o ensino médio, mas a política da Secretaria de Estado de Educação de Minas é de não fechamento desse horário, adianta a superintendente de Juventude, Ensino Médio e Educação Profissional, Cecília Resende Alves Cecília. “Quando essa gestão assumiu, em 2015, tínhamos 160 mil jovens com idade entre 15 e 17 anos fora da escola que passaram pelo ensino médio, mas, ao fim de um ou dois meses, evadiram, porque começaram a trabalhar. Uma das primeiras atitudes foi abrir 1,2 mil turmas de nível médio à noite”, conta. No ano seguinte, o currículo desses alunos também foi reformulado, com aulas de quatro horários  começando às 19h e terminando às 22h15. O resultado foi a volta de 114 mil jovens para a escola. “Temos o compromisso com o jovem trabalhador que quer estudar e queremos vê-lo em sala de aula.” Cecília espera que a discussão seja ampliada para outros estados e integre a lei.


     Quem está na linha de frente na sala de aula vê com bons olhos, mas também se preocupa com a execução da reforma do ensino médio. Que algo precisava ser feito, ninguém duvida. Mas como e com qual dinheiro e estrutura são as principais dúvidas de quem está no comando da sala de aula ou acompanha de muito perto os rumos da educação brasileira. Presidente da Federação das Associações de Pais e Alunos das Escolas Públicas de Minas, Mário de Assis reclama que não houve discussão com a sociedade. “A reforma é necessária, mas foi feita de cima para baixo. Tenho muitas indagações sobre o ensino técnico-profissionalizante e como serão contratados professores para cobrir a escola em tempo integral”, diz. A presidente da Associação dos Professores Públicos de Minas Gerais, Joana D’arc Gontijo, considera que a proposta é mais positiva que negativa. “É preciso investir no ensino médio com urgência e ter mais horários de aula, sim. Além disso, o Brasil tem extensão continental, logo, é importante ter uma base comum de ensino. Essa arrancada será doída e difícil, mas tem que ocorrer”, afirma.
     Aluna do 3º ano do ensino médio do Pedro II, Luísa Sousa Santos, de 16 anos, viajou para o congresso na Flórida e se encantou com o que viu. Ela teve a oportunidade de acompanhar, durante um dia inteiro, a rotina escolar de uma adolescente. “Há algumas matérias diferentes. Dar aula de reforço de matemática para meninos do 5º ano do fundamental era uma das atividades que estava na grade curricular dessa menina. O desempenho dela em sala de aula era avaliado pela professora dos garotos. Há um número bem menor de matérias, mas muita coisa para se fazer na escola, em arte, esporte e teatro, por exemplo, o que atrai o interesse dos alunos”, conta.

Nova base curricular define que crianças saibam ler e escrever aos 7 anos

Atualmente, as crianças brasileiras são alfabetizadas até os 8 anos, ou seja, ao final do 3º ano

     A terceira versão da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) define que ao final do 2º ano, ou seja, aos 7 anos, as crianças já saibam ler e escrever. O documento que define o que os alunos devem aprender em cada ano e etapa, da educação infantil ao 9º ano do ensino fundamental, foi apresentado nesta quinta-feira, 6, pelo Ministério da Educação (MEC). Agora, o documento segue para análise final do Conselho Nacional de Educação (CNE).
     A terceira versão da BNCC define que, ao final do 1º ano do fundamental, os alunos devem conseguir escrever "espontaneamente ou por ditado" palavras e frases "de forma alfabética", além de escrever corretamente o próprio nome, o dos pais, o endereço completo e ler palavras e pequenos textos.
     Atualmente, o país define que as crianças devem ser alfabetizadas até os 8 anos, ou seja, ao final do 3º ano - como define o Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (PNAIC). O Plano Nacional de Educação (PNE) definiu como meta que até o 3º ano todas as crianças tenham aprendizagem adequada em leitura e escrita.
     Segundo especialistas, as duas versões anteriores já colocavam algumas habilidades que indicavam a alfabetização no 1º ano, mas não de forma expressa. Na primeira versão, por exemplo, as habilidades esperadas para o aluno eram ler palavras e textos, "apoiando-se em imagens" e "segundo sua compreensão do sistema alfabético, ainda que não convencionalmente".
     Na segunda versão do documento, era esperado que o aluno produzisse textos "ainda que de forma não convencional ou tendo o professor como escriba".
     A consultora em educação Ilona Becskehazy avaliou como positivo colocar a alfabetização como meta para o final do 1º ano, por seguir uma tendência internacional. "Consolida uma percepção internacional, de países que são referência em educação, de que o aluno depois de dois anos na educação básica (já que, desde 2016, a matrícula se tornou obrigatória para crianças de 4 e 5 anos), já esteja preparado para a alfabetização", disse.
     O diretor do Instituto Ayrton Senna, Mozart Neves Ramos, afirmou que, para alcançar esses objetivos de alfabetização no 1º ano, o documento já avança em habilidades esperadas para a criança ainda no ensino infantil. "O documento traz com muita força, e coloca inclusive em negrito, a intencionalidade educacional no infantil. Ou seja, de que é preciso potencializar a educação nesse período."
     O documento coloca como habilidades esperadas para crianças de até 5 anos e 11 meses que saibam reproduzir suas próprias histórias orais e escritas, sendo a "escrita espontânea", identifique gêneros textuais mais frequentes e levante hipóteses em relação à linguagem escrita "realizando registros de palavras e textos, por meio da escrita espontânea".

Atraso     A base nacional vai definir o que os alunos da educação básica devem aprender a cada etapa escolar. O Brasil nunca teve uma base, e as diretrizes existentes hoje são consideradas genéricas.
      A lei do PNE estipulava que o documento final deveria ter sido entregue em julho do ano passado pra análise final do CNE. O documento entregue nesta quinta-feira só traz os objetivos de aprendizagem até o 9º ano. Com a reforma do ensino médio, o MEC definiu que entregaria depois sua parte da base.
      A base vai definir até 60% do conteúdo a ser ensinado nas escolas. A previsão do MEC é de que o modelo chegue aos materiais didáticos e às salas de aulas das redes públicas e privada em 2019.


Pessoas com deficiência serão incluídas na lei de cotas

Decreto assinado pelo presidente Michel Temer garante a reserva de vagas em instituições federais de ensino. Medida valerá para o próximo Sisu

     Quase cinco anos depois da lei que instituiu as cotas nas universidades e institutos federais do país para estudantes de escolas públicas, de baixa renda, negros, pardos e indígenas, um novo grupo será contemplado. Decreto incluindo os deficientes na reserva de vaga foi publicado ontem no Diário Oficial da União (DOU). De acordo com o Ministério da Educação (MEC), as novas regras já valerão para o próximo Sistema de Seleção Unificada (Sisu), no segundo semestre. Em Minas Gerais, dados da Secretaria de Estado de Educação (SEE) mostram que 100 mil estudantes do ensino básico têm diagnóstico de alguma deficiência.
     As mudanças no Decreto 9.034/2017, assinado pelo presidente Michel Temer e pelo ministro Mendonça Filho, regulamentam a Lei 12.711/2012. O MEC vai editar, no prazo de 90 dias, os atos complementares necessários à aplicação dos critérios de distribuição das vagas. Enquanto essas normas não forem publicadas, vale “a sistemática adotada no concurso seletivo imediatamente anterior”, diz o texto.
     O documento prevê que a quantidade de vagas seja, no mínimo, “igual à proporção respectiva de pretos, pardos, indígenas e pessoas com deficiência na população da unidade federativa onde está instalada a instituição”, de acordo com o último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo o levantamento de 2010, o Brasil tem 6,2% da população com alguma deficiência. Em Minas, dos 19.597.330 habitantes, 1.651.673 declararam ter uma deficiência visual, auditiva, motora, mental/intelectual – o correspondente a 8,4% da população mineira.
     A diretora de Educação Especial da SEE, Ana Regina de Carvalho, afirma que a inclusão demorou. Para ela, um único motivo explica por que os deficientes não foram incluídos já no início da Lei de Cotas. “Talvez por um ranço cultural, por entenderem que as pessoas com deficiência não chegariam à universidade ou à formação de nível técnico”, diz.
     “Em temos de escolarização e percurso educacional, essas pessoas chegam, sim, à universidade. No nível profissionalizante e técnico também. Há muitos, inclusive, com deficiência intelectual, que é o segmento mais historicamente desacreditado”, acrescenta. Ela ressalta que a revisão da lei vai ao encontro de uma realidade e de uma demanda que está posta e traduz como um direito que passa a ser respeitado.
     Vitória Formada no ensino médio e aluna do curso técnico de massoterapia, Josiane Ferreira Marques de Souza, de 20 anos, aluna do Instituto São Rafael, no Barro Preto, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, considera uma vitória a inclusão dos deficientes na Lei de Cotas. Cega, ela fará o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) pela primeira vez este ano e tentará uma vaga em instituição de ensino superior pelas cotas. “É a oportunidade de haver mais deficientes nas universidades. Somos capazes como qualquer outra pessoa e temos direito a essa reserva de vagas”, relata.
     Embora a mudança já possa valer para a próxima edição do Sisu, na Universidade Federal de Minas Gerais os impactos ocorrerão somente no ano que vem. Isso porque a maior instituição de ensino superior do estado tem entrada única e seleciona, com o primeiro Sisu de cada ano, os alunos que estudarão no primeiro e no segundo semestre.

Três perguntas para Andrea Ramal, doutora em educação pela PUC-Rio

Era necessário contemplar também esse público?
     Sim, a inclusão me parece oportuna. Certas minorias, como é o caso das pessoas com deficiências, têm sido sistematicamente esquecidas no país. Sou a favor de cotas desde que seja com período de vigência (exemplo 10 anos, 15 anos etc.), porque o ideal seria chegarmos a uma sociedade em que isso não seja preciso, porque todos tiveram as mesmas condições e oportunidades. Importante lembrar que não basta criar a cota, é preciso ter as condições de atendimento a este público. Caso contrário, ele ingressa, mas acaba desistindo. Isso seria uma “inclusão excludente”.
Por que deficientes ficaram de fora quando a lei foi implementada?
     Uma explicação possível é a diversidade quando falamos em pessoas com deficiências. Podemos falar de um cadeirante ou de um deficiente visual, que têm necessidades bem diferentes. Não considerá-los na primeira fase da implementação da lei era, de certo modo, um comodismo.
Que impactos esse decreto pode trazer de imediato?
     Vai ser um modo de acelerar as adaptações das universidades, tanto no que se refere à estrutura física quanto à humana (capacitação dos professores e funcionários para atender bem este público, por exemplo). Além disso, será um estímulo para que as pessoas com deficiências completem seus estudos no ensino médio.


ALMG aprova volta de quinquênio para servidores da educação

A proposta permite o pagamento de um adicional de 5% a cada cinco anos de trabalho, contados a partir de janeiro de 2012.

Na reunião também foram aprovados reajustes para servidores públicos (foto: Guilherme Dardanhan)

     Os servidores da Educação Básica de Minas Gerais vão voltar a receber, a partir deste ano, os quinquênios, extintos em 2003 pelo ex-governador Aécio Neves (PSDB). A permissão para pagar o adicional, batizado de adicional de valorização da educação básica (Adveb), foi aprovada com 49 votos por meio de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC 45/2017)  na manhã desta terça-feira.    
     O Adveb tem o percentual de 5% e é adicionado ao salário a cada cinco anos. De acordo com a PEC, ele será apurado a partir de 1º de janeiro de 2012. Ou seja, quem teve cinco anos efetivos de trabalho a partir desta data pode receber. Os servidores terão o acréscimo mensal ao salário a partir de janeiro deste ano, com isso, receberão os valores retroativos de janeiro, fevereiro, março, abril e maio. 
     O Adveb foi criado pelo governador Fernando Pimentel (PT) na lei 21.710/15, que extinguiu a política remuneratória por subsídio, mas havia um impedimento constitucional para o pagamento. A PEC aprovada nesta terça-feira colocou os servidores da educação básica como exceção no artigo que veda o pagamento de acréscimos a quem entrou no estado depois de 15 de julho de 2003. 
     Segundo o autor da proposta, deputado Rogério Correia (PT), a proposta só viabilizou o pagamento, que já estava previsto pelo estado. “O governo já tinha previsão pagar retroativo a janeiro deste ano. Só estou limpando a Constituição para aplicar a lei”, disse. Correia disse ainda que o benefício é semelhante ao pago às demais categorias como adicional de desempenho, "que só os servidores da educação não tem".
     O líder do governo, deputado Durval Ângelo (PT), justificou o benefício concedido aos profissionais da educação básica. “Não há problemas com a Lei de Responsabilidade Fiscal pois a previsão deste pagamento já está na lei desde 2015. É a mesma coisa da lei do piso federal, se o governo federal determina o valor tem respaldo na exigência de se pagar o piso”, disse. 
     Durval disse ainda não ver problemas de os servidores da educação serem os únicos a voltar a receber as gratificações por tempo de serviço. “A polícia já recebe quinquênio de 10%, o Aécio tirou dos professores e não tirou deles. Espero que todos os servidores vejam como uma valorização de uma categoria fundamental que é a educação. Acho que todo mundo vai ficar satisfeito, porque, quem na vida não teve um professor?”, questionou. 
Reparação de danos     Sobre a rapidez com a qual o projeto foi votado, o líder de Pimentel disse que a educação tem um apelo muito grande na Assembleia. O petista não acredita que o pagamento gere ciúmes entre as demais categorias. “Um professor ganha R$ 2 mil por mês, muito menos do que qualquer categoria do estado. Acho que todo mundo vai aplaudir essa política do governador de valorizar a educação”, afirmou. 
     A coordenadora do Sindicato dos Trabalhadores Únicos em Educação, Beatriz Cerqueira, negou que a PEC traga a volta do quinquênio. Segundo ela, o adicional faz parte do acordo com o governo fechado em 2015 e será pago exclusivamente por causa do tempo de serviço. Os quinquênios, segundo ela, tinham outros critérios também. Beatriz Cerqueira afirmou que os servidores da educação foram prejudicados com a política remuneratória dos subsídios, que havia acabado com todas as vantagens pessoais dos servidores. "O que está acontecendo é uma reparação de danos", disse. 

Reajustes
     Os deputados estaduais também aprovaram, em segundo turno, os projetos que reajustam os salários dos servidores da Assembleia, Tribunal de Justiça e Ministério Público de Minas Gerais. Para o Legislativo, o reajuste será de 4,57% retroativo a 1º de abril de 2017. Pelos projetos de autoria do TJMG e do MP, os servidores do Judiciário terão 3,5% de aumento e os do Ministério Público 4,39%, todos retroativos a maio de 2016.


Educação inclusiva na educação infantil

     Resumo: Este artigo tem como objetivo desencadear uma reflexão sobre a educação inclusiva na educação infantil, considerando a educação inclusiva como um modelo educacional referendado por políticas públicas, no entanto ainda distante da realidade escolar. A reflexão é no sentido de pensar nas mudanças necessárias desde a educação infantil, por ser esta a primeira etapa da educação básica e período crítico no processo de desenvolvimento e aprendizagem de crianças com deficiência. A construção da escola inclusiva desde a educação infantil implica em pensar em seus espaços, tempos, profissionais, recursos pedagógicos etc., voltados para a possibilidade de acesso, permanência e desenvolvimento pleno também de alunos com deficiências, alunos esses que, em virtude de suas particularidades, apresentam necessidades educacionais que são especiais. O texto aborda, entre outros aspectos, a necessidade de se repensar a prática pedagógica como elemento fundamental de inclusão escolar na educação infantil. A prática pedagógica inclusiva deverá se constituir pela junção do conhecimento adquirido pelo professor ao longo de sua trajetória e da disponibilidade em buscar novas formas de fazer considerando a diversidade dos alunos e as suas características individuais. 

     Palavras-Chave: Educação Inclusiva. Educação Infantil. Prática Pedagógica.

Inclusão: caminhos, encontros e descobertas


     Resumo: O texto tem por finalidade refletir sobre a inclusão e a capacidade de aceitação das diversidades dos indivíduos, na sociedade e na escola, garantindo acesso igualitário às oportunidades. Também representa um dos principais desafios da área da educação, uma vez que elimina as barreiras, a discriminação, dentre outras, que dificultam ou impedem o conhecimento e a aprendizagem de todos na escola. Buscamos entender quais são as políticas públicas que falam sobre a inclusão social e escolar, levando em conta os paradigmas conceituais e princípios que vem sendo progressivamente defendidos em documentos nacionais e internacionais. Procuramos levantar algumas discussões teóricas sobre a função da escola e o papel do professor frente à inclusão. O estudo também pretendeu conhecer e entender como a inclusão se efetiva, que mudanças se fazem necessárias para a aceitação dos diferentes e quais as possibilidades de aprendizagem nesse novo momento da educação. Concluiu-se que a inclusão de crianças nas escolas regulares de ensino é um processo complexo, envolve a garantia do sucesso da aprendizagem em um ambiente harmônico e respeitador, colaborando para a construção da cidadania com justiça e dignidade. 

     Palavras-chave: educação especial; inclusão social e inclusão escolar;

10 Jogos feitos com sucata

1- Jogo da velha de multiplicação




2-Roleta da multiplicação




3-Jogo subtração com tangram




4-Bingo numérico reciclado




5-Pião silábico reciclado




6-Caça-palavras reciclado




7-Jogo dos estados e capitais com garrafa pet




8-Jogo toca do coelho




9-Jogo da adição, subtração, multiplicação e divisão




10-Jogo cai não cai

10 Receitas para ensinar matemática

Matemática na cozinha




1- Primeiro Ano Trabalhando A Receita Tia Nelma




2-Projeto "Cozinhando Para a Mamãe"




3-Como fazer massinha de modelar




4-Projeto didático - Receitas culinárias




5-Aula de Culinária para crianças




6-Culinária infantil - Paçoca rapidinha




7-Projeto culinária - 4º ano A




8-Aula prática - Culinária com a professor Márcia




9-Criança na cozinha - Receita de Cookie crocante




10-Projeto Nova Canaã - Atividade extracurricular culinária

10 Passeios pedagógicos

1- Catavento Cultural e Educacional

     
     O Catavento é um espaço cultural e educacional que apresenta ao público, especialmente o jovem, a ciência e os problemas sociais, de um modo atraente e participativo.
     Situado no Palácio das Indústrias, Parque D. Pedro II, no centro da cidade de São Paulo, e desenvolvido com o apoio integral do Governo de São Paulo, o Catavento proporciona uma visita alegre e interativa apresentando conhecimentos básicos de eixos temáticos presentes na proposta curricular do ensino. São 4000m² divididos em quatro seções: Uma sobre o Universo, do espaço sideral à Terra. A segunda, a Vida, do primeiro ser vivo até o homem. Segue-se o Engenho, as criações do homem dentro da ciência. E a Sociedade, que mostra os problemas da convivência organizada do homem. 
     Toque em um meteorito verdadeiro que caiu há 6 mil anos na Terra! Saiba como o veneno dos animais podem nos ajudar. Aprenda sobre nanotecnologia de forma divertida. Teste sua mente na sala de ilusões e em diversas experiências de física. E muito mais.
     Localização: Palácio das Indústrias, antiga sede da Prefeitura, no Parque D. Pedro II, no centro da cidade de São Paulo, entre a Av. do Estado e a Av. Mercúrio, em frente à Casa das Retortas. Próximo ao Mercado Municipal e à estação do metrô D. Pedro II.
     Horários: 
     - De terça-feira a domingo, das 9h às 17h, inclusive nos feriados 
     - Entrada até as 16h
     - Recomenda-se a visitação para crianças acima de 7 anos.




2-MASP - MUSEU DE ARTE DE SÃO PAULO


Outro cartão-postal da cidade de São Paulo, foi inaugurado pela rainha Elizateth II da Inglaterra, em 1968. Seu acervo permanente é precioso e conta com obras de Renoir, Van Gogh, Matisse, Picasso, Miró, El Greco, Goya, Monet, Velásquez, Portinari, entre outros.

Indicação etária: a partir de 5 anos.
Endereço: Avenida Paulista, 1578. Cidade: São Paulo - SP
Telefone: 251-5644
Outras informações: Sem Estac. / Rest.



3-JARDIM BOTÂNICO


Possui 360 mil m2 quadrados de muita área verde com mais de 18 mil plantas de 3 mil espécies diferentes. Há um museu-estufa com exposição de orquídeas e réplicas de jardins europeus. Localizado próximo ao Zoológico, a maioria das espécies é identificada. Abriga o Museu Botânico João Barbosa Rodrigues.

Indicação etária: para todas as idades.
Endereço: avenida Miguel Stéfano, 3.031 - Água Funda. Cidade: São Paulo - SP
Telefone: 5584-6300
Outras informações: Estac.pago



4-MIS - MUSEU DA IMAGEM E DO SOM


     Está dividido em setores de fotografia, vídeo, cinema, áudio e biblioteca. Oferece exposições temporárias.

Indicação etária: a partir de 5 anos.
Endereço: Avenida Europa, 158. Cidade: São Paulo - SP
Telefone: 3062-9197
Outras informações: Estac.pago / Lanch.



5-AQUARIO DE SÃO PAULO

     Com mais de 3.000 metros quadrados, o espaço possui diversos aquários temáticos e espécies raras da fauna brasileira, além de pingüins e tubarões, proporcionando entretenimento e conhecimento aos visitantes, através da visualização e compreensão de diversos ambientes aquáticos.
     Há um aquário gigante de 1 milhão de litros de água salgada, e 22 tanques com cerca de 200 espécies de peixes de água doce. Há a réplica de um submarino da II Guerra Mundial em tamanho natural, a reprodução da estação polar brasileira na Antártica, um Cinema 3D, o Museu de Fósseis, e o Vale dos Dinossauros, com réplicas dos grandes répteis e efeitos especiais. A criançada também pode conhecer um pouco o dia a dia dos biólogos e oceanógrafos. Há também animais divididos em 4 temas: Rio Tietê, Selva Brasileira, Pantanal e Amazônia.

Endereço: Rua Huet Barcelar, 407, no Ipiranga, Zona Sul

Para consultar a programação, horários, preços e mais informações: http://www.aquariodesaopaulo.com.br/




6-MUSEU DA LÍNGUA PORTUGUESA


     Conheça o Museu da Língua Portuguesa, seu ponto de encontro com a língua, a literatura e a história. Você vai descobrir muitas curiosidades sobre a língua falada e escrita. Ao invés de paredes, vozes. No lugar de obras, espaços interativos.
     Em que língua você pensa? Como você cria o texto da sua fala? No Brasil se fala errado ou todo mundo fala certo? Vamos desvendar essas questões? Descubra aqui diferentes modos de ouvir e falar.

Praça da Luz, s/n - Ao lado da Estação da Luz (Metrô Luz)
Fone: (11) 3326-0775
Terça a Domingo das 10h às 17h - Em geral há fila




7-MAM - MUSEU DE ARTE MODERNA


     Ponto de referência da cidade, o museu é especializado em arte moderna. Suas mostras de altíssimo nível sempre trazem artistas plásticos expressivos de diferentes áreas como pintura, fotografia e escultura.

Indicação etária: a partir de 5 anos.
Endereço: Parque do Ibirapuera - Portão 3. Cidade: São Paulo - SP
Telefone: 5549-9688
Outras informações: Estac. grat. / Rest. Lanch




8-MEMORIAL DO IMIGRANTE


     Conta um pouco da história do País e de sua miscigenação racial tão característica. É composto pelo Museu da Imigração, pelo Centro de Pesquisa e Documentação, pelo Núcleo Histórico dos Transportes e pelo Núcleo de Estudos e Tradições. A "Velha Senhora", uma locomotiva de 1927, é um dos destaques do "núcleo dos transportes", e por incrível que pareça ainda funciona. Ela leva as crianças para um pequeno passeio aos domingos e feriados.

Indicação etária: a partir de 3 anos.
Endereço: rua Visconde de Parnaíba, 1316, Moóca. Cidade: São Paulo - SP
Telefone: 6692-7804
Outras informações: Sem Estac. / Lanch.



9-MUSEU DE ARQUEOLOGIA E ETNOLOGIA (MAE)


Afora o museu, poderá ser visitada também a exposição permanente "Formas de Humanidade", assim dividida:
Setor A: o Brasil indígena
- módulo 1: origem e expansão da sociedade indígena.
- módulo 2: manifestações sócio culturais dos índios.
Setor B: África: culturas e sociedade.
Setor C: Mediterrâneo e Médio Oriente na Antigüidade. Pré-história européia. Egito, Mesopotâmia.

Indicação etária: a partir de 6 anos.
Endereço: Avenida Prof. Almeida Prado, 1466 - Cidade Universitária. Cidade: São Paulo - SP
Telefone: 3818-4901
Outras informações: Estac. grat. / Rest. / Lanch. Visitas escolares devem ser agendadas com antecedência.



10-ESTAÇÃO CIÊNCIA


     Indicado para crianças a partir dos 6 anos e professores que gostam do mundo da ciência. Um dos pontos fortes da Estação Ciência são os vários experimentos e estudos nas áreas de física, biologia, química e informática, didaticamente monitorados. O espaço é dividido em plataforma ciência, tecnologia e informática. Ainda possui mini-butantã e terráreo, com algumas espécies de animais, répteis e insetos, que também despertam grande interesse. Estudantes universitários trabalham como monitores para dar maiores informações.

Indicação etária: a partir de 6 anos.
Endereço: rua Guaicurus, 1274 - Lapa. Cidade: São Paulo - SP
Telefone: 3673-7022
Outras informações: Sem Estac. / Lanch. / Agendamento prévio: agendamento@eciencia.usp.br

Conto: O patinho feio



     A mamãe pata tinha escolhido um lugar ideal para fazer seu ninho: um cantinho bem protegido, no meio da folhagem, perto do rio que contornava o velho castelo. Mais adiante estendiam-se o bosque e um lindo jardim florido. Naquele lugar sossegado, a pata agora aquecia pacientemente seus ovos. Por fim, após a longa espera, os ovos se abriram um após o outro, e das cascas rompidas surgiram, engraçadinhos e miúdos, os patinhas amarelos que, imediatamente, saltaram do ninho.
     Porém um dos ovos ainda não se abrira; era um ovo grande, e a pata pensou que não o chocara o suficiente.
     Impaciente, deu umas bicadas no ovão e ele começou a se romper. No entanto, em vez de um patinho amarelinho saiu uma ave cinzenta e desajeitada. Nem parecia um patinho.
     Para ter certeza de que o recém-nascido era um patinho, e não outra ave, a mãe-pata foi com ele até o rio e o obrigou a mergulhar junto com os outros. Quando viu que ele nadava com naturalidade e satisfação, suspirou aliviada. Era só um patinho muito, muito feio.
     Tranquilizada, levou sua numerosa família para conhecer os outros animais que viviam nos jardins do castelo. Todos parabenizaram a pata: a sua ninhada era realmente bonita. Exceto um. O horroroso e desajeitado das penas cinzentas!
     — É grande e sem graça! — falou o peru.
     — Tem um ar abobalhado — comentaram as galinhas.
     O porquinho nada disse, mas grunhiu com ar de desaprovação.
     Nos dias que se seguiram, as coisas pioraram. Todos os bichos, inclusive os patinhos, perseguiam a criaturinha feia.
     A pata, que no princípio defendia aquela sua estranha cria, agora também sentia vergonha e não queria tê-lo em sua companhia.
     O pobre patinho crescia só, malcuidado e desprezado. Sofria. As galinhas o bicavam a todo instante, os perus o perseguiam com ar ameaçador e até a empregada, que diariamente levava comida aos bichos, só pensava em enxotá-lo.
     Um dia, desesperado, o patinho feio fugiu. Queria ficar longe de todos que o perseguiam.
     Caminhou, caminhou e chegou perto de um grande brejo, onde viviam alguns marrecos. Foi recebido com indiferença: ninguém ligou para ele. Mas não foi maltratado nem ridicularizado; para ele, que até agora só sofrera, isso já era o suficiente.
Infelizmente, a fase tranquila não durou muito. Numa certa madrugada, a quietude do brejo foi interrompida por um tumulto e vários disparos: tinham chegado os caçadores!
     Muitos marrequinhos perderam a vida. Por um milagre, o patinho feio conseguiu se salvar, escondendo-se no meio da mata.
     Depois disso, o brejo já não oferecia segurança; por isso, assim que cessaram os disparos, o patinho fugiu de lá.
     Novamente caminhou, caminhou, procurando um lugar onde não sofresse.
     Ao entardecer chegou a uma cabana. A porta estava entreaberta, e ele conseguiu entrar sem ser notado. Lá dentro, cansado e tremendo de frio, se encolheu num cantinho e logo dormiu.
     Na cabana morava uma velha, em companhia de um gato, especialista em caçar ratos, e de uma galinha, que todos os dias botava o seu ovinho.
     Na manhã seguinte, quando a dona da cabana viu o patinho dormindo no canto, ficou toda contente.
     — Talvez seja uma patinha. Se for, cedo ou tarde botará ovos, e eu poderei preparar cremes, pudins e tortas, pois terei mais ovos. Estou com muita sorte!
     Mas o tempo passava, e nenhum ovo aparecia. A velha começou a perder a paciência. A galinha e o gato, que desde o começo não viam com bons olhos recém-chegado, foram ficando agressivos e briguentos.
     Mais uma vez, o coitadinho preferiu deixar a segurança da cabana e se aventurar pelo mundo.
     Caminhou, caminhou e achou um lugar tranqüilo perto de uma lagoa, onde parou.
     Enquanto durou a boa estação, o verão, as coisas não foram muito mal. O patinho passava boa parte do tempo dentro da água e lá mesmo encontrava alimento suficiente.
     Mas chegou o outono. As folhas começaram a cair, bailando no ar e pousando no chão, formando um grande tapete amarelo. O céu se cobriu de nuvens ameaçadoras e o vento esfriava cada vez mais.
     Sozinho, triste e esfomeado, o patinho pensava, preocupado, no inverno que se aproximava.
     Num final de tarde, viu surgir entre os arbustos um bando de grandes e lindíssimas aves. Tinham as plumas alvas, as asas grandes e um longo pescoço, delicado e sinuoso: eram cisnes, emigrando na direção de regiões quentes.
     Lançando estranhos sons, bateram as asas e levantaram voo, bem alto.
     O patinho ficou encantado, olhando a revoada, até que ela desaparecesse no horizonte. Sentiu uma grande tristeza, como se tivesse perdido amigos muito queridos.
     Com o coração apertado, lançou-se na lagoa e nadou durante longo tempo. Não conseguia tirar o pensamento daquelas maravilhosas criaturas, graciosas e elegantes.
     Foi se sentindo mais feio, mais sozinho e mais infeliz do que nunca.
     Naquele ano, o inverno chegou cedo e foi muito rigoroso.
     O patinho feio precisava nadar ininterruptamente, para que a água não congelasse em volta de seu corpo, criando uma armadilha mortal. Mas era uma luta contínua e sem esperança.
     Um dia, exausto, permaneceu imóvel por tempo suficiente para ficar com as patas presas no gelo.
     — Agora morrerei — pensou. — Assim, terá fim todo meu sofrimento.
     Fechou os olhos, e o último pensamento que teve antes de cair num sono parecido com a morte foi para as grandes aves brancas.
     Na manhã seguinte, bem cedo, um camponês que passava por aqueles lados viu o pobre patinho, já meio morto de frio.
     Quebrou o gelo com um pedaço de pau, libertou o pobrezinho e levou-o para sua casa.
     Lá o patinho foi alimentado e aquecido, recuperando um pouco de suas forças. Logo que deu sinais de vida, os filhos do camponês se animaram:
     — Vamos fazê-lo voar!
     — Vamos escondê-lo em algum lugar!
     E seguravam o patinho, apertavam-no, esfregavam-no. Os meninos não tinham más intenções; mas o patinho, acostumado a ser maltratado, atormentado e ofendido, se assustou e tentou fugir. Fuga atrapalhada!
     Caiu de cabeça num balde cheio de leite e, esperneando para sair, derrubou tudo. A mulher do camponês começou a gritar, e o pobre patinho se assustou ainda mais.
     Acabou se enfiando no balde da manteiga, engordurando-se até os olhos e, finalmente se enfiou num saco de farinha, levantando uma poeira sem fim. A cozinha parecia um campo de batalha. Fora de si, a mulher do camponês pegara a vassoura e procurava golpear o patinho. As crianças corriam atrás do coitadinho, divertindo-se muito.
     Meio cego pela farinha, molhado de leite e engordurado de manteiga, esbarrando aqui e ali, o pobrezinho por sorte conseguiu afinal encontrar a porta e fugir, escapando da curiosidade das crianças e da fúria da mulher. Ora esvoaçando, ora se arrastando na neve, ele se afastou da casa do camponês e somente parou quando lhe faltaram as forças.
     Nos meses seguintes, o patinho viveu num lago, se abrigando do gelo onde encontrava relva seca.
     Finalmente, a primavera derrotou o inverno. Lá no alto, voavam muitas aves. Um dia, observando-as, o patinho sentiu um inexplicável e incontrolável desejo de voar.
     Abriu as asas, que tinham ficado grandes e robustas, e pairou no ar. Voou. Voou. Voou longamente, até que avistou um imenso jardim repleto de flores e de árvores; do meio das árvores saíram três aves brancas.
     O patinho reconheceu as lindas aves que já vira antes, e se sentiu invadir por uma emoção estranha, como se fosse um grande amor por elas.
     — Quero me aproximar dessas esplêndidas criaturas — murmurou. — Talvez me humilhem e me matem a bicadas, mas não importa. É melhor morrer perto delas do que continuar vivendo atormentado por todos.
     Com um leve toque das asas, abaixou-se até o pequeno lago e pousou tranquilamente na água.
     — Podem matar-me, se quiserem — disse, resignado, o infeliz.
     E abaixou a cabeça, aguardando a morte. Ao fazer isso, viu a própria imagem refletida na água, e seu coração entristecido deu um pulo. O que via não era a criatura desengonçada, cinzenta e sem graça de outrora. Enxergava as penas brancas, as grandes asas e um pescoço longo e sinuoso.
     Ele era um cisne! Um cisne, como as aves que tanto admirava.
     — Bem-vindo entre nós! — disseram-lhe os três cisnes, curvando os pescoços, em sinal de saudação.
     Aquele que num tempo distante tinha sido um patinho feio, humilhado, desprezado e atormentado se sentia agora tão feliz que se perguntava se não era um sonho!
     Mas, não! Não estava sonhando. Nadava em companhia de outros, com o coração cheio de felicidade.
     Mais tarde, chegaram ao jardim três meninos, para dar comida aos cisnes. O menorzinho disse, surpreso:
     — Tem um cisne novo! E é o mais belo de todos! E correu para chamar os pais.
     — É mesmo uma esplêndida criatura! — disseram os pais.
     E jogaram pedacinhos de biscoito e de bolo. Tímido diante de tantos elogios, o cisne escondeu a cabeça embaixo da asa.
     Talvez um outro, em seu lugar, tivesse ficado envaidecido. Mas não ele. Seu coração era muito bom, e ele sofrera muito, antes de alcançar a sonhada felicidade.